Programa Ampara: Defensoria supera 2 mil atendimentos a mulheres em situação de violência e alcança 80 municípios do Paraná 10/03/2026 - 15:54
No Mês das Mulheres, o programa Ampara - Atendimento à Mulher Paranaense pela Defensoria Pública do Estado do Paraná (DPE-PR) completa um ano de atuação como ferramenta essencial para romper barreiras geográficas no acesso à justiça. Até o momento, o programa realizou 2.099 atendimentos a mulheres em situação de violência doméstica e familiar. O Ampara também alcançou, a partir do foco no serviço online, 80 municípios paranaenses, entre eles 48 que ainda não contam com o atendimento presencial da Defensoria.
O programa oferece atendimento jurídico e psicossocial para mulheres em situação de violência doméstica e familiar de forma totalmente online, gratuito e sigiloso, realizado por uma equipe exclusivamente feminina. Sob a estrutura do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (NUDEM), o Ampara busca intervir no ciclo de violência por meio de pedidos de medidas protetivas de urgência, ações indenizatórias, demandas familiares e articulação com redes de apoio locais.
O serviço atende mulheres de todo o Paraná, independentemente de renda e sem a necessidade de registro prévio de Boletim de Ocorrência. O agendamento é feito por meio da plataforma Luna, disponível no site da Defensoria.
“O Ampara oferece atendimento integral, qualificado e individualizado, orientado pela perspectiva de gênero e pelo respeito ao protagonismo e à autonomia das mulheres – com escuta, acolhimento e estratégias construídas a partir das necessidades de cada realidade. Mas seu alcance vai além do atendimento individual”, afirma Mariana Nunes, coordenadora do NUDEM. “É também coletivo e estratégico na medida em que busca qualificar e fortalecer a integração da rede de atenção. Além disso, ao investir em educação em direitos, o Ampara atua também na prevenção da violência”.
Atuação jurídica e proteção
Para a defensora pública responsável pelo Ampara, Natália Marcondes Stephane, os números validam a prioridade da instituição nos recursos digitais para alcançar quem mais precisa.
“Os números de 2025 confirmam que a estratégia de criar o Programa Ampara para atendimento remoto às mulheres vítimas de violência doméstica – chegando até mesmo em locais onde a Defensoria Pública ainda não está presente fisicamente – foi acertada e essencial para democratizar o acesso à justiça”, avalia Stephane.
O volume de atuações se concentra principalmente em demandas relacionadas a medidas protetivas de urgência (MPU). Ao todo, a equipe registrou 430 atendimentos, desde pedidos de concessões de MPUs até habilitações em medidas vigentes, além de orientações e assistência jurídica geral.
O projeto também avançou na garantia de direitos civis e reparatórios. Houve um esforço concentrado na reparação financeira das vítimas, com 71 atendimentos visando o ajuizamento de ações de execução da indenização fixada em sentença criminal. Além disso, o programa também promoveu 64 atendimentos para ações na área de Família (como divórcio, pensão alimentícia e guarda de filhos) voltados especificamente a mulheres em situação de feminicídio tentado.
Acolhimento na hora certa
A importância de um atendimento que não exige deslocamento físico fica evidente na história de Claudia*. Em situação de violência doméstica, ela conheceu o projeto por indicação da Polícia Militar durante o atendimento da ocorrência em sua casa. Com uma bebê de apenas dois meses, ir até uma sede física seria um obstáculo naquele momento. “O fato de o atendimento ser totalmente virtual facilitou demais a minha vida. Esse formato foi de grande ajuda, além de todo o carinho e compreensão que recebi”, relata.
Para ela, o suporte recebido foi decisivo para conseguir enfrentar a situação. “Acredito que não seria nada fácil tomar todas as providências necessárias se eu não tivesse o apoio do Ampara ao meu lado. Eles me acolheram de uma forma inexplicável. O projeto foi, e continua sendo, um suporte imenso para mim”, completa Claudia.
Suporte multidisciplinar
O acolhimento citado pela usuária é resultado do trabalho da equipe multidisciplinar, que envolve psicólogas e assistentes sociais. Esse setor do programa realizou, ao todo, 1095 atendimentos.
Segundo a psicóloga e uma das idealizadoras do programa, Jéssica Mendes, o trabalho busca dar ferramentas à mulher para que ela consiga lidar melhor com o contexto de violência, compreendendo suas emoções e reconhecendo seus direitos. O atendimento também envolve o monitoramento de casos mais graves e encaminhamentos para a rede de proteção, criando um vínculo de confiança que auxilia na assimilação do trauma e na reconstrução da rotina.
“O atendimento técnico vai além do suporte imediato: ele enriquece o universo de possibilidades dessas mulheres, oferecendo os recursos práticos e subjetivos necessários para que voltem a ser protagonistas de suas próprias vidas”, resume a psicóloga.
* Nome fictício para preservar a identidade da mulher.


