Na Cinemateca de Curitiba, DPE-PR lança documentário sobre programa de retificação de prenome e gênero 30/01/2026 - 17:33

Na última quinta-feira (29), a Defensoria Pública do Estado do Paraná (DPE-PR) estreou, na Cinemateca de Curitiba, o primeiro documentário produzido integralmente pela instituição. O filme, intitulado Mil Nomes, apresenta a história de pessoas trans atendidas pela Defensoria para retificar o prenome e gênero em suas documentações. O evento de estreia foi realizado no Dia Nacional da VisibilidadeTrans, que visa reforçar a importante luta pelo fim da violência, da discriminação e dos retrocessos em direitos de cidadania. 

“Hoje, no Dia da Visibilidade Trans, estarmos lançando oficialmente o nosso documentário, que foi produzido de uma maneira tão especial, mostrando efetivamente para que serve a Defensoria, por que ela existe e para quem ela existe”, afirmou Matheus Munhoz, defensor público-geral. “Essa é a maior demonstração que temos dessa necessidade institucional para dar visibilidade, para potencializar e para garantir direitos básicos, cidadania a todos que precisam no nosso estado”, disse..  

O documentário busca ampliar a visibilidade das pessoas atendidas pela instituição, com espaço para que suas histórias sejam contadas e usadas como inspiração para outras que necessitam do serviço.

“Eu acho que esse documentário vai atingir um público que a gente não imagina. Vai estimular outras pessoas trans a buscarem pelo trabalho da defensoria”, destacou Karollyne Nascimento, 1ª mulher trans a ser ouvidora-geral de uma Defensoria Pública no Brasil. “Ter tido a oportunidade de poder estar nesse documentário, de alguma forma, comprova tudo o que a gente sempre falou. Que existimos, somos capazes e podemos contribuir para a melhoria do serviço prestado”, ressaltou Nascimento.

Para a estreia do documentário, a Defensoria convidou as personagens entrevistadas, jornalistas, familiares e representantes de movimentos sociais. Após a sessão, as personagens entrevistadas participaram de um bate papo com o público sobre a importância de uma produção audiovisual com esta temática.

“Eu acho muito bonito, muito importante termos esse espaço, poder ter essa voz, de podermos ser ouvidos em um espaço assim. E, principalmente, ter as pessoas aqui, prestigiando todo o trabalho de vocês, e ouvindo nossa história”, afirmou Julia Medeiros, personagem do documentário.

Sobre o filme

Mil Nomes aborda a história de três pessoas trans que retificaram prenome e gênero por meio da Defensoria. Com uma narrativa forte, o filme traz perspectivas do ambiente familiar, dos espaços de trabalho, das dores psicológicas, dos preconceitos sofridos e do acolhimento que encontram em si, em familiares ou em desconhecidos que acolhem com um abraço. Clique aqui para assistir o documentário.

A produção do documentário foi realizada durante o ano de 2025, com processos de apuração, gravação e montagem. O projeto é uma iniciativa conjunta entre a Diretoria de Comunicação da DPE-PR e as coordenações do programa Meu Nome, Meu Direito - Núcleo da Cidadania e Direitos Humanos (NUCIDH, Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (NUDEM) e Ouvidoria.

As histórias que compõem o filme representam as milhares de pessoas atendidas no programa durante os últimos três anos, com demonstrações de força, coragem e superação. “Mulher trans no Brasil não sobrevive mais de 30 anos. Eu estou com 47 anos, então eu passei da estimativa”, afirmou Natasha de Sousa, durante entrevista para o documentário. 

A defensora pública e coordenadora do NUDEM, Mariana Nunes, afirma a importância do projeto para divulgar o serviço do projeto e viabilizar a atuação da Defensoria com a população trans. “O documentário vem como um reconhecimento do trabalho que vem sendo realizado pelo NUDEM e pelo NUCIDH, desde 2022, nos mutirões Meu Nome, Meu Direito. Ele tem esse papel de divulgar o trabalho e de conscientizar a importância dessa nossa atuação com a comunidade trans, em especial, com a retificação dos pré-nomes gênero”, afirmou a defensora. 

Meu Nome, Meu Direito

A iniciativa da Defensoria para orientação jurídica gratuita para retificação de prenome e gênero existe desde 2022, sob coordenação do NUCIDH, do NUDEM e da Ouvidoria. Nos últimos três anos, o número de retificações no Paraná cresceu 40%, segundo dados da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado do Paraná.

Desde então, o Meu Nome, Meu Direito já passou por Curitiba, Colombo, Paranaguá, Ponta Grossa, Londrina, Maringá, Cascavel, Paranavaí e Foz do Iguaçu, além de uma edição especial na Cadeia Pública de Rio Branco do Sul.

A possibilidade de fazer a retificação diretamente nos cartórios existe desde 2018, quando o Conselho Nacional de Justiça estabeleceu o Provimento nº 73/2018. Na prática, a medida permitiu que pessoas trans não precisassem mais mover ações judiciais para conseguir a retificação. A medida do Conselho Nacional de Justiça representou um marco na luta pelo reconhecimento do direito à retificação registral.

No mesmo ano, o Supremo Tribunal Federal havia reconhecido o direito das pessoas trans de mudar nome e gênero nos documentos sem necessidade de comprovar cirurgia de redefinição sexual ou tratamentos para mudança de gênero.

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