DPE-PR recebe exposição fotográfica “Deste lado do muro”, sobre a vida no sistema penitenciário de países da América Latina
20/06/2022 - 16:12

A partir do dia 23 de junho, a Defensoria Pública do Estado do Paraná (DPE-PR) abre as portas da Sede dos Núcleos Especializados, no bairro Batel, em Curitiba, para receber a exposição do fotojornalista Francisco Proner, intitulada “Deste Lado do Muro”, que revela detalhes da situação carcerária na América Latina e do cotidiano das pessoas privadas de liberdade nesses espaços.

O fotógrafo, apesar de jovem, já teve seus trabalhos publicados em jornais nacionais e internacionais como o New York Times, The Washington Post, The Guardian, Le Monde e El Pais. As fotos apresentadas na exposição são fruto de várias viagens por países da América Latina, como Haiti, México e Honduras, entre outros, quando Proner acompanhou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA) que, entre outras atribuições, monitora a situação carcerária nos países.

Proner acompanhou a CIDH pela Agência Farpa, um coletivo que distribui seu material no Brasil, e registrou imagens impactantes no ambiente prisional entre 2018 e os primeiros meses deste ano. Ele e mais dois colegas passaram por 18 presídios na América Latina, entre eles a Cadeia Pública de Toledo, no sudoeste do Paraná; o presídio de Pedrinhas, no Maranhão, e o Complexo Penitenciário de Bangu, no Rio de Janeiro, hoje chamado de Complexo Penitenciário de Gericinó. O fotojornalista separou 19 imagens do seu acervo para fazer a exposição, que estará aberta ao público a partir desta quinta-feira (23/06).

“No Paraná, fui com ajuda da Defensoria a uma prisão em Toledo, e o Defensor Público-Geral André Giamberardino ajudou o coletivo a documentar a contaminação [dos presos] por coronavírus na pandemia de Covid-19 que havia lá. Era uma prisão que tinha quase 100% de contaminação tanto entre os presos quanto entre os agentes”, conta Proner sobre a passagem pelo estado.

Segundo ele, a situação carcerária encontrada no Brasil possui muitas diferenças estruturais em relação àquela vislumbrada em outros países, que envolvem principalmente as unidades físicas e o Sistema Penal, mas há, também, inúmeras similaridades presentes.

“É impressionante ver que toda a região latino-americana tem os mesmos problemas, tanto em relação ao sistema judiciário quanto ao sistema carcerário. Mas, apesar das diferenças, existem muitas similaridades quando se trata das violações de Direitos Humanos, que já começam em termos jurídicos, com a falta do devido processo legal”, comenta.

O fotojornalista ressaltou como um país como o Haiti, que enfrenta historicamente problemas climáticos graves, e o Brasil têm questões não tão parecidas a tratar quando o assunto é sistema carcerário, mesmo diante da disparidade de recursos de cada país.

“São celas com o triplo, quatro vezes mais pessoas do que a capacidade poderia suportar. São pessoas que se alimentam com comida embolorada, vencidas, sem nenhuma garantia mínima. São pessoas completamente esquecidas, no fim das contas”, relat.

Outro ponto retratado pelo profissional é que, na maior parte dos países visitados, o problema carcerário não é uma questão que atinge somente as pessoas privadas de liberdade. Profissionais que trabalham no sistema são diretamente atingidos pela falta de políticas públicas adequadas.

“Não se trata só de uma violação das pessoas que estão presas, mas também da desvalorização dos agentes penitenciários em cada um desses países. Por exemplo, isso é muito claro no Brasil e também em Honduras”.

Proner também visitou presídios femininos durante as viagens com a Comissão, mas neles viu algo positivo que não encontrou nos outros. Em razão de o número de mulheres encarceradas ser menor do que o de homens, as estruturas prisionais são mais organizadas e proporcionam mais alternativas, embora ainda haja problemas registrados.

“Pelo fato de as mulheres serem minoria na situação carcerária, nesses presídios há mais iniciativas artísticas por parte das direções dos presídios, há mais alternativas para romper com o ciclo de violência. Vi isso de uma forma muito presente nos dois que visitei”, explica.

Na avaliação do fotojornalista, todos os problemas registrados e denunciados nas imagens fazem parte de um debate público fundamental sobre a questão carcerária, e ajudam a chamar a atenção do poder público, principal responsável para garantir os direitos humanos dentro do sistema penitenciário.

“É importante colocar que essas instituições de defesa dos direitos humanos não podem fazer tudo por essas pessoas. Muitas vezes, é um trabalho frustrante porque, apesar do que se pode fazer, apenas o Estado pode suprir essa necessidade. Obviamente que a gente faz esse tipo de denúncia e manifesto, mas é uma forma de trazer isso à luz do debate público. O que é preciso é uma atitude séria [do Estado] para lidar com esse problema”, afirma.

Serviço
Exposição fotográfica “Deste Lado do Muro”, de autoria do fotojornalista Francisco Proner
Data: de 23 de junho a 19 de agosto, das 9h às 18h, de segunda a sexta-feira. 
Endereço: Sede dos Núcleos Especializados da DPE-PR, na Rua Benjamin Lins, 779, Batel | Curitiba - Paraná.

A entrada é gratuita.

 

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